VII ENANCIB - Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação
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Maria de Lourdes Lima

A gênese do Arquivo Fotográfico de Leme: uma leitura da acumulação

Maria de Lourdes Lima
Universidade Estadual Paulista-campus de Marília

Eduardo Ismael Murguia
Universidade Estadual Paulista-campus de Marília

     Texto Completo: PDF
     Texto submetido em: November 17, 2006

Resumo
Este trabalho tem a preocupação de situar o estágio de uma pesquisa em andamento acerca de um estudo da gênese do arquivo fotográfico produzido e acumulado por Sebastião Leme, entre 1938 a 2000, em Marília, São Paulo. O ponto de partida da investigação é o de promover um estudo da gênese como índice que possibilite a identificação de elos capazes de dar sentido às condições de produção e acumulação do arquivo fotográfico constituído a partir de um lugar e de um fazer. A considerar o exposto, o andamento da pesquisa se acha, no momento, na fase de coleta de depoimentos orais e de fontes documentais que apontem para o tipo de abordagem teórica da arquivística em opor o caráter orgânico dos fundos de arquivo ao aspecto artificial das coleções. Roudinesco (2006) chama atenção para os riscos de uma confiança ilimitada no poder absoluto do arquivo, que pode tanto engessar a história quanto negar o próprio arquivo. Já Ricoeur (1997) considera o arquivo como um conjunto de documentos (ou record) que deriva das atividades de uma pessoa física, mas isto só é insuficiente, ele também vê o arquivo como um rastro ou, ainda, como uma extensão do depósito, na medida em ele que enseja a idéia de um índice, de uma registro. Neste sentido, tomamos o arquivo fotográfico de Sebastião Leme como registro capaz de ensejar um tipo de produção, de depósito que sugere índice e acumulação. O que nos leva a adotar uma metodologia que combine o paradigma indiciário, com base em Carlo Ginzburg (1990), com o método de história oral, na medida em que o primeiro atua como um sinalizador destinado a recuperar os vestígios, enquanto o segundo assume a tarefa de proceder ao rastreamento daqueles indícios, recuperando-os sob a forma de registro oral, acrescido de outros meios sonoros, imagéticos e escritos. Para Ginzburg o paradigma indiciário ou semiótico tem a capacidade de iluminar uma realidade nem sempre transparente, logo a presença de indícios garante, por parte das ciências humanas, a possibilidade de reconstituição dos processos culturais. A bibliografia selecionada para discutir a fotografia assinala dois aportes teóricos vinculados à semiologia e à semiótica, apesar de se distinguirem pelos seus, respectivos, marcos teóricos têm em comum o conceito de SIGNO, logo a fotografia é vista como um signo indiciário. Ora, pensar o arquivo nestes moldes é tomá-lo como um conceito que tanto pode ser visto no âmbito da arquivologia quanto da ciência da informação. Neste sentido, recuperamos a contribuição de Paul Otlet, através de Blanquet (2003), que ao tomar o documento, como elemento de prova e de testemunho, instaura nele o conceito de Informação. O que faz a arquivística definir, posteriormente, o documento como uma unidade constituída pelo suporte e pela informação. A partir daí, já é possível vislumbrar os elos entre a Arquivologia, a Documentação e a Ciência da Informação.




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